Carta ao Leitor - Pais e Filhos

foto capaCaro Leitor! Reproduzi um verso do poeta Gibran Khalil Gibran, nascido no Líbano, no final do século XIX. Seus versos ou textos trazem sempre uma mensagem importante, algo que nos marca por toda uma existência.

E assim foi com este texto, dos filhos:

“E uma mulher que carregava o filho nos braços disse: ‘Fala-nos dos filhos.’
E ele disse: Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, a vós não pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com Sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável.”

Mas, por que este verso?

Porque alguns estão fabricando sua flecha na ânsia da vida pela vida. Outros as estão formando, tirando farpas, arredondando a madeira, fazendo a lança, para que no futuro, empreendam os mais altos vôos.

E agora, depois de arremessados, rezamos para que esses seres, “nossos filhos”, atinjam o alvo da felicidade.
Em sua trajetória, podemos abrigar seus corpos, mas não suas almas, porque estas contêm experiências das quais não fizemos parte, são as escolhas feitas por eles.

Porém, algumas são feitas pelo reflexo do que foi assimilado enquanto crianças. Aí sim, cabe aos pais parte da responsabilidade das escolhas realizadas.

Se quando pequeninos estivemos aparentemente longe, mal sabiam eles que, nem por um minuto, deixamos de vigiá-los, de zelar pelo seu bem estar, estávamos tão perto, mas não queríamos sufocá-los com nossas atenções. Deixávamo-nos à distância, para que começassem a experenciar, para aprender a ter senso de responsabilidade.

Para que os filhos cresçam, necessitam aprender com a experiência. Engraçado, repetiremos isso até o nosso ou deles, último alento de vida.

Nossos filhos aparentemente não crescem, pois para os pais estes serão eternamente crianças, seres que sempre terão a nossa atenção e mesmo, de longe, estaremos sempre vigiando, zelando para que alcancem a felicidade, o alvo. Vibramos quanto mais perto eles se encontram e choramos quando observamos que estão se desviando da rota, indo por um caminho mais difícil.

Mas nós, flechas que estamos também atrás do alvo, não queremos que nos imitem, e sim, que façam as coisas como seres únicos que são ou que sigam nossos maus exemplos, porque muitas vezes, também fizemos escolhas e tomadas de decisões erradas, embora tenhamos realizado muitas coisas boas.

O principal é que eles descubram seu próprio caminho para chegar ao alvo e que esse nunca se distancie do grande Arqueiro, pois somente Ele tem a destreza de conduzir ao alvo da felicidade.