Amar Demais
floresCaro amigo, observando determinados comportamentos meus e conversando com pessoas amigas, percebi que há algo sobre o amor e a maneira de amar que ainda nos leva a vários questionamentos. Será possível “amar demais”?

Quando falamos em amor, o que deveríamos sentir é alegria, bem-estar e realização, pois este é um aspecto divino que nos eleva como SER quando praticado. Porém, na maioria dos relacionamentos amorosos, o que notamos é um comportamento que se pauta na idéia fixa de que, para amar, é preciso sofrer e chamamos isso de amor, permitindo que tal sentimento controle as nossas emoções e exerça influência negativa sobre as condições de saúde e bem-estar.

Há uma frase escrita por Huberto Rohden que diz: “Não fazer depender a minha felicidade de algo que não dependa de mim”; e quando amamos demais, fazemos o contrário. Buscamos a felicidade no relacionamento com outra pessoa, visando algo que ela possa nos oferecer e não na própria realização como Ser em evolução, que possui Vida.

Quando amamos demais expressamos uma necessidade de ser servil, de ajudar os homens com quem nos envolvemos; queremos ser as “salvadoras” dos homens, que não conseguem lidar com sua indisponibilidade emocional, indiferenças ou vícios, como se a força do nosso amor fosse libertá-los desse aprisionamento e, assim, seríamos mais felizes. Esta atitude é um auto-engano, pois ninguém muda ninguém, no entanto estamos sempre nesta expectativa. Ficamos magoadas, desiludidas e este comportamento nos leva a não realização, já que a desilusão vem de algo que não é real. Esta sensação, a cada dia vai aumentando, tornando o vazio cada vez mais constante e... vamos deixando isso pra lá.

Negamos a própria vida, talvez por comodismo ou por medo de mudar. A maioria desses comportamentos é resultante de experiências que tivemos em nossas infâncias, transferindo o resultado comportamental para a fase adulta; procuramos manter com um homem, experiências que tragam para nós as mesmas sensações já conhecidas de rejeição, solidão e auto-sacrifício, de maneira que expressamos a nossa necessidade de ser servil, tornando-nos “super atenciosas” e auto-sacrificantes. Negamos a nós um relacionamento saudável e maduro, no qual tenhamos uma interação emocional harmônica, que nos dê a condição de nos conhecer, através do amor sem culpas ou medos.

Todas nós, que ao lermos esta carta e nos reconheçamos como uma mulher que ama demais, nós temos que, em primeiro lugar, tornar-nos conscientes da realidade da nossa condição. Mas, não basta apenas conhecer as características que nos classificam nesta categoria, mas sim devemos ter coragem, força, determinação, para perder o medo e começar a nos modificar, afirmando nossa potencialidade, renunciando velhos padrões de comportamento, para poder realmente ser feliz.

“Amar o próximo como a ti mesmo”, disse Jesus, portanto, o primeiro passo é amar a si mesmo, para que possamos estabelecer uma correta relação humana e não esquecer o que escreveu Huberto Rohden: “Não fazer depender a minha felicidade de algo que não dependa de mim”.

Um abraço,
Mírian de Cássia Gerei Santos