Brasil: Bocaina, um paraíso natural!

brasilQuando criança, fui acostumada a ouvir sobre a Serra da Bocaina, o que para mim era o lugar mais longe e perigoso do mundo. Do quintal de minha casa dava para ver os montes azuis, quando tinha aquele sol de brigadeiro, como também as nuvens que caiam do céu e cobriam esse montes como suspiros clarinhos.

Era aterrorizante quando essas nuvens ficavam pretas e pesadas e como todos já sabiam: ”está chovendo na serra e logo a enchente vai descer, trazendo cobras que paravam à beira do rio”. Era divertido ver o rio cheio, na verdade, era uma distração para a criançada. Caminhões com toras de madeira desciam do ”sertão”, como costumávamos nos referir à Serra da Bocaina. Ir até lá, nem pensar, o acesso era quase nenhum e também: ”é o Sertão da Onça, perigoso”, como diziam os adultos.

Uma imagem que ficou gravada em minha mémoria, um gosto de ”um dia vou lá”. E hoje, entre pesquisas e conversas com velhos amigos, posso dizer alguma coisinha, pois conhecer e falar tudo da Bocaina é ficar por lá algum tempo. Pois bem, a minha serra da infância faz parte hoje do Parque Nacional da Bocaina, criado em 1971 para preservar os moradores e a natureza, quando da instalação da usina nuclear em Angra dos Reis, pois as montanhas e vegetação nativa seriam um escudo protetor no caso de acidentes na usina. A serra em si, consiste dos Sertões da Onça, da Bocaina, da Madereira, do Mimoso, das Sete Quedas, entre outros. O nome Bocaina, por sinal, é de origem tupi e significa depressão de uma serra.

No meio da Serra do Mar e da Mantiqueira, com uma extensão de mais de 100 mil hectares, o Parque abrange as cidades de Bananal, Arapei, São José do Barreiro, Areias, Cunha, Silveiras e Ubatuba, no Estado de São Paulo; Parati e Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro. É uma das maiores extensões, ainda existente, da Mata Atlântica. Árvores de grande porte como canela, embaúbas, murici, cedro, araucárias – de onde vem nosso conhecido pinhão. Animais como anta, macaco-prego, onças, jaguatiricas e aves ameaçadas de extinção como a harpia e alguns tipos de gavião são encontradas lá. O núcleo Picinguaba, em Ubatuba, também faz parte da Bocaina. Bromélias, samambaias e orquídeas também constituem a flora do Parque.

brasildoisNo Parque ainda existe a Trilha do Ouro, caminho aberto pelos índios e depois calçado com pedras, pelos escravos, usado pelos bandeirantes e tropeiros para escoamento das riquezas do Vale do Paraíba e do ouro de Minas Gerais, até o porto de Parati. O relevo acidentado propicia a formação de cahoeiras, como Santo Izidro – queda de 84m, das Posses, do Veado; picos como O Tira Chapéu – 2.088m de altitude, a pedra do Frade com 1.589m de altitude. O acesso ao Parque pode ser por São José do Barreiro (entrada oficial e administrativa), por Arapei e por Bananal.

Saindo de Bananal, pela SP-247, estrada que vai até o topo da serra, caminho asfaltado mas muito sinuoso, as curvas chegam ”quase a 360º” e permitem uma visão espetacular dos vales, rios e cachoeiras, sítios ao longe que dão aquele aspecto de natureza viva. No km15, dessa estrada, há o acesso para a Estação Ecológica de Bananal, uma área com 884 hectares destinada à visitação e pesquisa científica.

Os atrativos da Serra, no lado bananalense, são muitos e de dar água na boca. Como ponto culminante, há o Morro de Ramos, com 1.900m. Cachoeiras belíssimas como do Bracui, uma queda com 150m, formando 5 saltos. Nela pode-se ter uma visão da cidade de Angra dos Reis e da Ilha Grande. A cachoeira do Mimoso com 70m, a dos Pilões, da Usina também com 150m – formada pelo Rio Bananal e geradora da energia da cidade, antes da CESP se instalar por lá.

Na Sete Quedas, como é mais conhecida, uma queda com sete saltos, sendo o último dentro da Estação ecológica, pode-se banhar nos poços e piscinas naturais, o problema é a água gelada. Na Estação Ecológica também fica o acesso para a Trilha do Ouro, que leva à Angra dos Reis.

Do outro lado de Bananal, ainda na Bocaina, têm-se acesso ao Recanto das Cachoeiras, formado pelo Rio Turvo. O local é mais frequentado por ser mais próximo da cidade.

Com nome bem popular, há a Cachoeira do Criminoso, fácil de entender o nome, pois devido formação das pedras, a correnteza forma um vácuo que puxa tudo para sob as pedras. Pela correnteza é proibido descer, mas no poço formado por ela é possível nadar.

Mais um pouquinho de minha cidade, que ainda conheço de muito falar. Alguns lugares já visitei, outros ficam para as próximas férias, pois no alto da serra há criação de trutas, área para pesca, venda de peixes, chalés, restaurantes, áreas para camping, asa delta e até mesmo uma aventura para 4×4, pois alguns acessos só a pé ou em veículos desse tipo.

brasiltresCurtir a natureza, viver essas belezas…um ótimo lugar para quem gosta de sossego e não se importa com acomodações luxuosas, em ficar sem wi-fi e sem celular.

Autora: Maria Helena Mendes Leal
Fontes: www.brasilchannel.com.br
www.ecoviagemúol.com.br
www.motorshow.com.br
www.cruzandomundo.com.br
Fotos: www.ecoviagemúol.com.br
pt.wikipedia.com

fotos: cachoeira do santo Isidro
Trilha do ouro
Cachoeira de Sete Quedas

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