Carta ao Leitor: A bioatividade dos alimentos na correção da dislipidemia

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Caro leitor, os alimentos não são mais vistos unicamente como uma forma de saciar a fome ou de suprir o corpo de nutrientes. A dieta tem sido reconhecida como uma ferramenta importante na prevenção de diversas doenças, devido à eficácia de alguns alimentos, quando ingeridos diariamente. Devido à estas suas propriedades, esses alimentos recebem o nome de alimentos funcionais.

Os alimentos funcionais promovem a saúde e vão além. Com seus componentes bioativos, ajudam o organismo a se organizar de modo a diminuir processos inflamatórios do corpo, como a dislipidemia.

A dislipidemia é um distúrbio no metabolismo humano caracterizado pela alteração dos níveis de gordura no sangue. Este processo, quando não corrigido, pode levar a doenças como o infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Para reduzir o risco destas complicações na saúde, são orientadas mudanças no estilo de vida, como reeducação alimentar juntamente com a prática de atividade física.

Os alimentos que promovem a saúde através da diminuição dos riscos da dislipidemia são o feijão comum; as oleaginosas como castanhas, avelãs, pistache e nozes; o azeite de oliva extra virgem; cúrcuma; pimenta vermelha (dedo de moça); chocolate com alto teor de cacau; frutas e hortaliças que são alimentos ricos em fibras.

O feijão comum é fonte de proteínas, assim como boa fonte de carboidratos complexos, fibras, vitaminas e minerais. Os nutrientes bioativos presentes no feijão, além das proteínas complexas e fibras solúveis, são as saponinas, esteroides, polifenois e fitatos, que juntos, regularizam o sistema imunológico.

O consumo diário das sementes oleaginosas como amêndoas, avelãs, castanhas, pistache e nozes, reduz o risco de doenças cerebrais. Nas oleaginosas encontramos compostos fitoquímicos, (fito de plantas e químico de estrutura molecular), que possuem propriedades moleculares que a semente adquiriu da planta na sua estrutura, juntamente com as proteínas, vitaminas e alguns minerais. Estas propriedades não só reduzem as gorduras nos níveis sanguíneos, como estimulam a atividade vascular.

A indicação do uso do azeite de oliva extra virgem se dá pela sua produção. Este azeite de oliva não é produzido através de solventes, mas a frio. Este processo possibilita a conservação de seus nutrientes bioativos, como os polifenois que, quando consumidos diariamente, reduzem a ação dos radicais livres, moléculas que causam o envelhecimento.

Os polifenois reduzem o colesterol LDL e evitam que placas de gorduras se formem nas paredes dos vasos sanguíneos, prevenindo o corpo de doenças cardiovasculares e AVC.

A curcumina, nutriente bioativo presente no pó extraído da raiz da cúrcuma, e a capsaicina, nutriente bioativo encontrado na pimenta vermelha, têm efeitos antioxidantes nos níveis de gordura no sangue. Estas propriedades bioativas reduzem os níveis de gordura presente nos vasos sanguíneos, como também a produção do colesterol do próprio.

O chocolate bom para a saúde deve conter teores de cacau. Quanto maior for o teor deste nutriente bioativo, melhor. O cacau deixa o sabor do chocolate amargo, o que significa que contém propriedades flavonoides e estes são potentes antioxidantes. Eles percorrem os vasos sanguíneos limpando-os das gorduras em excesso. Com isso, os vasos sanguíneos se movimentam livremente, poupando um esforço excessivo do coração.

O consumo de alimentos como frutas e verduras contém fibras que diminuem a absorção de gorduras presentes na dieta. Elas também contêm nutrientes bioativos com propriedades antioxidantes como os flavonoides e alguns minerais como manganês, zinco, selênio, cobre e ferro, que auxiliam na redução da gordura no sangue. Estas propriedades são encontradas no tomate, maçã, mamão e goiaba.

Outros alimentos com seus nutrientes bioativos favorecem, através da dieta, a diminuição da gordura no sangue, como o farelo de aveia, a linhaça, as fibras goma guar e pectina que contém fibras solúveis. Contudo, é improvável que somente um único nutriente esteja envolvido na regulação dos níveis de gordura no sangue, possivelmente trata-se de um efeito conjunto vindo de diversos componentes presentes nestes alimentos.

A ingestão diária destes alimentos funcionais, juntamente com uma dieta com baixa ingestão de gordura animal e eliminação de frituras, promovem uma organização do metabolismo, diminuindo o estado inflamatório da dislipidemia.

Um abraço,

Márcia Feliciano do Couto Oliveira

Fontes: Novo Dicionário Eletrônico Aurélio – A. B. H. Ferreira
            Alimentos Funcionais e Dislipidemias – C. O. B. Rosa, M. R. P. Monteiro, T. T. Oliveira                                          www.anvisa.gov.br

Foto:  http://doutissima.com.br/wp-c

 

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