Carta ao Leitor: Ter Fé

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Amigo leitor, em determinadas situações de dificuldades ou ao almejarmos um estado de espírito, de paz e harmonia interna, recorremos a fé.

Não estou dizendo crença e sim fé, existindo uma diferença entre ambas.

Tentar entrar na harmonia pela crença, é não ultrapassar os horizontes do qual vivemos em nosso dia a dia, o da personalidade. O simples crer, não passa de um simples querer ou querer crer, considerar algo possível ou desejar, como: creio que conseguirei um trabalho. Ou então algo imaginável ou suposto quando dizemos que não cremos (acreditamos) que alguém tenha feito algo errado. No próprio dicionário define crer como acreditar, desejar.

Este tipo de sentimento não está ligado com aquela energia mais sutil e também mais forte que possuímos, a Vontade. Na crença permanecemos mais como um espectador torcendo para que dê certo, sem a ação e sim, somente na intenção.

A fé consiste em compreender, intuir e construir, que virá como resultado da assimilação das leis espirituais existentes e da moral.

Sem o contato como que temos de mais sublime dentro de nós, nossas qualidades e virtudes, não vivemos com a fé.

Ela é um estado que alcançamos devido a um padrão em que nos conduzimos. Ocorre das nossas atitudes em relação a nossa vontade expressa em nosso cotidiano, por acreditarmos nas leis espirituais existentes. O que não tem nada a ver com religião, mas viver dentro da ética e da moral. Por isso que dizemos que a fé é realização.]

Quem tem fé tem a Vida (que não é somente a existência do cotidiano) em abundância. E para intensificar a Vida em nossas experiências do dia a dia é necessária uma disciplina ordenada. Porém a simples menção desta palavra já leva algumas pessoas a pensarem em sacrifício, renúncia e erroneamente sofrimento.

Podemos explicar disciplina segundo o educador, filósofo e professor Huberto Rohden em um de seus livros: “vamos imaginar um rio com um quilometro de largura, a correnteza, a força da água é pouca, porque o rio é raso e lago. Se acaso estreitar este rio, levantando paredes laterais, diminuindo sua largura para dez metros, reduz-se o seu volume de água e aumenta a sua força, que seria capaz até de movimentar poderosas máquinas”.

Da mesma maneira podemos trabalhar com a disciplina. A água adquiriu tamanha força pela disciplina, na compresão do seu volume em pequeno espaço. O rio foi então submetido a um sacrifício, que na sua inércia estática, transformou-se numa atividade dinâmica.

Pela disciplina se transforma num canal onde correrá a água da Vida.

Assi, dispersamos energia em vários eventos fúteis sem verdadeiros significados, como na busca de um carro do ano, roupas além do que necessitamos, a busca da eterna juventude, celulares de última geração, correndo de um lado para outro, etc.

Como o canal do rio, se dispersamos nossa energia em vários braços, em vários sentidos, a vida corre de forma lenta, por se manter ela inerte e estático, enquanto ao direcionarmos nossas energia pela disciplina, a um propósito, o realizaremos.

Como diz Rohden, a vida do homem indisciplinado é insípida procurando ele satisfazer seus caprichos, intensificando os seus gozos a fim de poder sentir, porque ao viver dos seus caprichos embora a sua sensibilidade, nada mais sentindo, a não ser se for estimulado por vibrações densas, como drogas ou outros estímulos físicos.

O homem disciplinado, pelo contrário, tudo lhe é motivo de satisfação, onde os acontecimentos da vida cotidiana lhe trazem um bem-estar e alegria, como uma boa conversa, o sorriso de uma criança, o assistir uma palestra, dar risadas com seus amigos, enfim a sua satisfação ocorre por uma frequência vibratória sutil que só a disciplina de viver na moral lhe oferta.

Ter fé seria a mesma coisa, possuir algo espiritualmente antes de ter o materialmente, é operar numa dimensão que se acha além de todas as dimensões que o homem comumente conhece.

Quem não deixou a personalidade não vive plenamente, e quem não tem vida plena tem fé, vive uma pseudo vida, vive mecanicamente como um robô.

Aquele que vive na fé, o seu crer é o saber, alcançou a sabedoria do Viver.

Um grande abraço,

Eliana Sanches Santos

Fontes: Para Pensar – E. S. Morais
            Assim Dizia o Mestre – H. Rohden

Fotos: ©underdogstudios – fotolia.com
          

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