E as plantas falam…

dreamstime xs 18162534Recentemente assisti a um vídeo onde a Dra. Monica Gagliano, gravou o som emitido pelo girassol. Isso me trouxe lembranças há muito adormecidas.

Quando criança, minha função de todas as tardes era regar as plantas. Tínhamos uma pequena horta no quintal e algumas flores. Era algo que eu adorava fazer, principalmente porque ali minha imaginação infantil ia longe.

Enquanto a água saía suavemente pela mangueira caindo sobre as folhas das hortaliças, formando gotas que pareciam diamantes, minha mente elaborava um diálogo entre elas que ia desde pequenas conversas até mesmo a formação de uma família. A comunicação era pelas raízes…é…sob a terra elas “andavam”, visitavam umas às outras, choravam – isso quando eu via alguma viscosidade em seus caules…Falavam sobre o dia a dia – se o sol estava quente, se a chuva tinha sido muito forte, se tinham perdido alguém (isso quando eram colhidas para nosso alimento) -, avisavam que o alimento, no caso a água, já estava chegando…e…até mesmo “se casavam e tinham filhos”, que no caso eram os brotos novos que apareciam e as flores que desabrochavam.

Minhas fantasias eram baseadas numa planta bem conhecida pela sensibilidade ao toque. A Mimosa Pudica, popularmente conhecida como “dormideira”. Gostava de brincar com ela e pensava: ela sente dor, alegria ou fica tímida com o toque e por isso se fecha. E se ele ela se fecha as outras plantas também podiam “conversar”.

Cresci, aprendi um pouco sobre a germinação, aprendi que os brotos não eram filhotes, dei muitas risadas de mim mesmo e essas criações foram ficando no esquecimento.

Hoje, no entanto, percebi que minhas fantasias não estavam totalmente erradas. Posso ter “viajado” demais, mas a ciência está fazendo grandes progressos com relação ao estudo sobre a comunicação entre as plantas. A dormideira, por exemplo, foi utilizada em uma pesquisa na University of Western da Austrália, pela bióloga Monica Gagliano e os cientistas Michael Renton, Martial Depczynski e Stefano Mancuso. E o resultado foi que, além de aprender, a planta tem memória, lembrando-se por longo tempo o que aprendeu.

Sabemos que a tulipa é uma planta de países frios, mas o que a bióloga inglesa Caroline Dean descobriu, ao comprar mudas de tulipa, é que ela, para germinar e florescer, utiliza a memória da estação fria, por isso as mudas devem ser guardadas na geladeira por um período. Quando plantada, dará flores, pois guarda na “memória” o inverno pelo qual passou.

Elas se comunicam entre si, “lutam pelo próprio espaço”. Outra pesquisa da Universidade, utilizando plantas jovens de milho, mostra que a comunicação é feita pelas raízes que emitem pequenos cliques. Ao ouvir um som semelhante, produzido pelos pesquisadores, as raízes “se voltaram” na direção do som. Os “cliques”, uma espécie de assinatura da espécie, servem de alerta à plantação quando há algum perigo. Se uma assinatura diferente é detectada eles se “reúnem” para espantar o invasor, o que significa em não dar lugar para a outra planta crescer.

A “cultura popular” nos mostra a todo momento que as plantas, como todo ser vivo, têm movimentos e percebemos isso quando elas procuram a luz; são sensíveis; purificam o ar, impedem a erosão…. A ciência aprofunda cada vez mais as pesquisas e prova que, em frequências específicas, esses movimentos, ou essas vibrações do mundo vegetal, podem ser ouvidas. As plantas respondem ao som, como amoreiras e tomateiros que mantém mantêm suas folhas e flores fechadas, só abrindo ao “ouvirem” o bater das asas das abelhas. Ou seja, o ultrassom das asas é a chave de abertura para liberação do polém.

Sim, há todo um universo a ser explorado. Sabemos muito, mas a cada dia percebemos que nada sabemos sobre os mistérios que os reinos, habitantes desse nosso belo planeta, podem nos oferecer. Estamos todos compartilhando um espaço, onde nós, ditos seres humanos, somos parte e não totalidade. Portanto, é necessário aprender sobre o que está a nossa volta para reverenciar quem nos faz companhia e nos auxilia com alimentos, remédios e beleza.

Autora: Maria Helena Mendes Leal

Referências Bibliográficas:

Luiza; Ingrid. A Inteligência Secreta das Plantas. Rev. Superinteressante. Nº 394. P. 35-39. Ed. Abril. São Paulo-SP. Outubro/2018
Disponível em:
https://veja.abril.com.br/ciencia/planta-dormideira-aprende-e-tem-memoria-afirma-estudo/ acesso em 24/11/2018 – às 19:54
https://www.epochtimes.com.br/plantas-podem-se-comunicar-atraves-do-som-2/ – acesso 24/11/2018 – às 20:43

Imagem: © dreamstime 8162534

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