Em busca de alta!

Muitas pessoas buscam um terapeuta para solucionar um trauma, um problema, uma situação. Válido, inteligentemente válido. Contudo, começam a
terapia já visando a alta.

A cada sessão de minha psicoterapia, vejo que a vida é composta de fases e ciclos e que “problemas” e resoluções sempre serão necessários.

Poderia dizer que a pessoa que começou a terapia no início de 2018 já não mais existe. Ou seja, seus problemas e questionamentos foram resolvidos em grande parte e, isso caracterizaria uma alta. 

Mas será que no processo de resolução dos problemas que me levaram à psicoterapia no meu processo de autoconhecimento mais nada apareceu? Será que eu me contento com o projeto de ser humano que em eu tinha em 2018? Eu quero mais da vida, de mim!

É fato que, ter passado pelo que passei em 2018 me gabarita a resolver muita coisa do porvir, e mais, me faz crer que sou capaz de enfrentar o que preciso pela frente. Uma autoanálise me faz ver as minhas capacidades e possibilidades, mas me lembro de não uma ou duas vezes, mas várias, em que no começo da sessão, após responder que estava tudo bem comigo, após uma ou duas perguntas respondidas descobria que não estava bem e que tinha uma crise bem em frente do meu nariz que eu não conseguia ver. 

Parafraseando a minha psicoterapeuta, “conhecimento não tem alta”! 

É como um videogame, quando completo uma fase do jogo, já sei muitas coisas que me facilitarão o ingresso na próxima fase, mas a próxima fase, exigirá de mim outras habilidades que eu ainda não conheço e me apresentará desafios que ainda não conheço. No jogo, preciso tentar uma, duas, três… até mais vezes para conseguir descobrir qual o movimento que devo fazer para transpor um obstáculo. 

Na vida, posso usar da mesma estratégia, mas errar pela segunda vez, muitas vezes pode significar complicar a minha vida e a minha relação com o outro. O terapeuta é como se fosse uma dica de que caminho seguir, sem ter que tentar as mais várias habilidades até descobrir quais delas me faz vencer os meus “monstros”. 

Não nego que entrei na terapia ansiando a minha alta. Mas hoje, vou a cada sessão pensando, o que descobrirei agora, qual o meu desafio, o que ainda n ão sei sobre mim, pois meu projeto de ser melhor a cada dia é eterno. Sei que a cada sessão aparecerão novos question amentos e que serei capaz de dar a eles uma resposta. Talvez não imediatamente, mas a provocação está feita e o caminho a trilhar, indicado. 

E se não tenho perguntas, sei que serei levada a formulá-las, pois a partir do momento que paramos de nos questionar, morremos, nos contentamos com o que somos e abrimos mão da maior herança que recebemos, a capacidade de criar uma nova vida a cada segundo, a partir das decisões que tomamos frente às reflexões que fazemos sobre nós mesmos.

Que 2019 seja repleto de novas reflexões e questionamentos, e que aprendamos que a felicidade não está no fim, ela se constrói no processo.

Autora: Rossana Ribeiro da Graça

Imagem: © Leo Blanchette – Fotolia.com

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