Segunda, Outubro 23, 2017
   
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Onde existe medo não há reverência

jardimbCaro leitor, o tema proposto para essa edição trata do medo e a incompatibilidade deste com a reverência. O tema inicia com a palavra “onde”, que denota lugar, mas no sentido do tema, não se restringe a um espaço físico.

O sentido da palavra está abrangendo todas as circunstâncias das quais participamos na vida, seja física ou extrafisicamente. São todas as oportunidades que temos de aprendizado na vida. Assim, em quaisquer circunstâncias das quais participemos e tenhamos medo, não haverá reverência.

O medo é um mecanismo que está abaixo do instinto. O instinto é uma das energias da personalidade que nos impulsiona a ter experiências, seja pela autoafirmação, pelo instinto sexual ou gregário. O medo faz parte desse sistema de evolução para que os seres tenham um limite e não se autodestruam. É como um freio para que o homem não cometa loucuras. O medo é necessário até um certo ponto da evolução do homem.

Quando o homem atinge um nível de desenvolvimento que lhe dê acesso à razão, isto é, um desenvolvimento mental, ter medo é um processo regressivo. A razão nos certifica de que em tudo existe um princípio de ordem que nos leva a um objetivo: a evolução. Por mais doloroso que possa ser ou por mais arriscado que seja, tomar decisões na vida, para um ser que utiliza a razão, não deve haver medos ou receios, porque na vida tudo é aprendizado e evolução, que sempre nos encaminhará para a felicidade.

A razão pondera todos as possibilidades e não perde de vista o objetivo do aprimoramento constante e permanente em tudo que fazemos. Assim, encontra solução para tudo dentro das adversidades. Não há nada que paralise a ação, realizando de forma consciente e corajosa. Sua esperança está pautada na razão de ser filho de Deus e herdeiro de seu potencial, que aguarda ser ativado pela análise detalhada das circunstâncias. Não hesita em investir, em “entrar de cabeça”, no que avalia ser o correto.

Quem tem medo, mas já possui uma capacidade de realização e, nesse nível, é consciente disso, bloqueia a fluidez da capacidade de Ser e junto com ela, impede que outras pessoas usufruam dos benefícios que sua capacidade pode proporcionar. O medo em uma hierarquia alta é sinônimo de egoísmo consciente e voluntário, isto é, rebeldia. Portanto, irreverência.

A reverência é o reconhecimento e a compreensão das Leis que impulsionam todos à evolução. É o reconhecimento daqueles que já As conhecem e orientam os que ainda estão aprendendo sobre Elas. Aqueles que têm medo e não seguem as Leis, não reverenciam, pois estão na mão contrária à evolução. Ao invés de colaborarem com ela, dificultam o seu desenvolvimento, por ainda não reconhecerem a Si próprios como agentes capazes de transformação.

Se não reconhece a Si, não conhece a Sua Origem Divina. Movimentam-se apenas pelo medo ou pela troca de interesses, isto é, pelo respeito. “Vou agir dentro das Leis para não me prejudicar”. Ou “não vou me arriscar, porque posso não dar conta” e assim, se limita. É ser conveniente e para o conveniente os seus interesses estão em primeiro lugar. Desta forma, não mudamos de emprego, não retomamos os estudos, não ousamos no trabalho, não somos assertivos nos relacionamentos, ou seja, não vivemos a vida com intensidade. Estamos apenas passando por ela.

Ter receio de seguir o certo em quaisquer circunstâncias, de seguir as orientações do Mestre, é o mesmo que ter medo de enxergar a si próprio para se transformar. O medo não é da circunstância, mas é do que temos que enxergar que não está bem em nós e devemos modificar, mesmo que para isso tenhamos que “arrancar um olho ou um braço”, sabendo que este é o único Caminho. Se agirmos pela razão teremos coragem, estaremos afinizados com a energia do Creador. Seremos reverentes.

Reverência é moral adquirida e posta em prática através dos processos de autoconhecimento, autoformação e autotransformação. Quem é consciente de si e da busca constante de se aperfeiçoar não espera resultados imediatos ou mede esforços para atingir seu objetivo. Tampouco é inconseqüente de seus atos. Porém, segue em frente independente das circunstâncias e das consequências possíveis as quais está ciente, mas faz o que é certo, pois conhece as Leis e as segue quando orientado por aqueles que as transmitem, os grandes Mestres, como Jesus. Nesse sentido, onde há o medo não pode existir a reverência.

Um abraço, querido leitor,

Fábio Mikio Kikuti

Nota: Carta ao Leitor set/2003.

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