Quinta, Abril 27, 2017
   
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Casa Conectada

casaconectadaDesde a década de 60 quando o telefone começou a se difundir de maneira mais ampla, a necessidade de se comunicar à distância passou a ser algo cada vez mais comum entre as pessoas.

Até o início da década de 90 os telefones eram predominantemente fixos, de modo que residências, locais públicos e estabelecimentos comerciais permaneciam conectados. Se desejássemos falar remotamente com alguém precisávamos chegar a um destes pontos de acesso.

Na década de 90 assistimos à disseminação da internet e dos telefones celulares. A internet, no início, dependia de acessos fixos e na maioria das vezes de uma linha telefônica. Já a telefonia celular trouxe a mobilidade ao mundo das comunicações remotas. Foi uma verdadeira revolução. Para muitos a ideia de viver sem conexão com a internet e sem telefone celular hoje é insuportável e no futuro, talvez, seja algo insustentável tal como é para nós hoje não ter energia elétrica em casa.

Esta insustentabilidade surgirá do fato de que não somente pessoas estarão se comunicando através de seus telefones fixos e móveis, como também as coisas que nos rodeiam o farão. A possibilidade de acesso móvel à internet abriu possibilidades sem precedentes para a expansão das conexões entre dispositivos.

Hoje podemos imaginar carros sendo fiscalizados automaticamente por máquinas, a nossa conta de energia elétrica sendo coletada sem necessidade de leitura manual, filmes chegando à nossa casa por meios eletrônicos sem precisarmos ir até a locadora.

As casas que na década de 60 eram conectadas umas às outras por telefones terão seus utensílios integrados. Teremos geladeiras que farão sugestão de pratos em função do que está armazenado dentro delas. Geladeiras que irão montar listas de compras e transmiti-las ao supermercado de maneira automática, para garantir seu abastecimento. As possibilidades que surgirão em um mundo de coisas conectadas será enorme e, infelizmente, a dependência destes aparatos também surgirá.

Do mesmo modo que talvez seja difícil para nós reconhecer a importância de uma geladeira que administra a suas provisões e sugere o seu cardápio, seria difícil para uma pessoa que viveu na década de 20 reconhecer porque é importante ter um aparelho no bolso, o tempo todo, que permita o acesso a uma rede de computadores global.

Há vinte anos atrás estar sem conexão com a internet em casa não era um problema tão sério. Hoje em dia, para muitos, a ausência desta conexão é comparada à falta de energia elétrica. A conexão de dados é algo cada vez mais importante. É por isto que o governo de paises em desenvolvimento como o Brasil estão estimulando a disseminação dos serviços de banda larga para todas as classes sociais. Daqui a algum tempo será tão incomum encontrar uma casa sem conexão com a internet como é hoje encontrar uma casa que não tenha luz elétrica.

A tecnologia modela a cultura humana e cria uma série de falsas necessidades. Não estou querendo fazer uma apologia contra a evolução tecnológica. Ela é importante e deve ocorrer. O que não deve ocorrer é a dependência exagerada a estes meios de modo a impedir, por exemplo, o convívio e a socialização entre os seres humanos. Que nossas casas estejam conectadas, que estejamos conectados uns aos outros; mas que não percamos a referência daquilo que somos e, principalmente, da verdadeira comunicação que temos que estabelecer constantemente com o nosso princípio espiritual, pois só assim teremos a chance de ser felizes.

Foto: © Aleksandr Lobanov | Dreamstime.com

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