Quinta, Abril 27, 2017
   
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O Universo que cada filho é – parte II

filhosdoisA base genética – física e cármica – é fundamental para o sucesso evolutivo do futuro reencarnante, mas será no ambiente familiar em que esta base será alimentada ou modificada.

Uma das características que influem muito na personalidade das crianças, segundo a psicologia, é o papel que ocupam e passam a desempenhar assim que chegam à família. Isto quer dizer que ser o primogênito, o caçula, o filho do meio, o “temporão” traz também uma série de características e atribuições que podem ou não facilitar o processo de desenvolvimento.

Um filho mais velho tende a ter espírito de liderança, como pode também ser mandão ou aquele que será sempre consultado quando importantes decisões devem ser tomadas. Lida mais facilmente com as situações de frustração, pois aprendeu a dividir. É bastante cobrado, uma vez que ele tem que dar o exemplo para os irmãos e, muitas vezes solicitado para ajudar aos pais a cuidar ou arrumar a bagunça dos outros irmãos. Por vezes, o processo de se tornar mais responsável é acelerado, tirando-lhe momentos de puro prazer que a meninice poderia ter lhe proporcionado, para assumir o papel de “o mais velho”. Não é raro ele entrar em crise quando recebe a notícia de que vai ter um novo irmão ou dias após o nascimento, quando percebe que terá que dividir a atenção. Pode começar a ter comportamento de bebê, não se alimentar bem, ficar mais triste ou agressivo e se os pais não souberem criar espaços em que ele seja tão importante quanto o bebê ou espaços para que as suas necessidades também sejam atendidas, ele poderá se sentir rejeitado ou menos merecedor de amor.

O primogênito geralmente não apresenta problemas disciplinares na escola e assume responsabilidades mais cedo, pois não é raro os pais lhe cobrarem isto: “Você é o mais velho, tem que cuidar (ou dar o exemplo) de seus irmãos!”

O filho do meio geralmente sente-se esquecido. Acha que o caçula pode tudo e o mais velho manda e ele, é o esquecido, sem direitos. É justamente isso que lhe dá a possibilidade de crescer de forma mais autêntica, mais solta, uma vez que a atenção e as cobranças acabam indo mais para os extremos.

Com isso, ele aprende a se livrar do mando do mais velho e, ao mesmo tempo, é menos mimado, pois não é tão protegido como o caçulinha. Geralmente, os filhos do meio reclamam de sê-lo e não percebem a “sorte que têm”, por terem um ambiente mais neutro, menos controlador ou cheio de cobranças para se desenvolver. Na verdade não foram “esquecidos”, mas ao contrário, tiveram uma liberdade para agir sem tantas cobranças ou responsabilidades e puderam aproveitar melhor a infância e a adolescência.

O filho caçula tende a ter mais facilidade para obedecer, pois além dos pais, acaba por ter que obedecer também aos outros irmãos, mas pode ser também, o mais mimado, já que sendo o menorzinho, acaba sendo poupado de responsabilidades que são atribuídas aos mais velhos, tendo prolongada a sua meninice.

Sua socialização é mais rápida e fácil, pois os irmãos mais velhos foram “abrindo as portas”, por exemplo, na maioria das vezes ele vai a festas ou viaja sozinho mais cedo, uma vez que os irmãos mais velhos já fizeram a reivindicação e venceram a resistência dos pais, contudo esta proteção dos pais e até mesmo dos irmãos, podem lhe trazer problemas futuros, pois como não assumiu determinadas responsabilidades, acaba por ter algumas dificuldades na vida; foi poupado de certas experiências que lhe trariam maior maturidade. Tais características também estão presentes no filho “temporão” e, muitas vezes, são mais ressaltadas ainda, o que pode gerar adultos irresponsáveis.

Existem também características específicas do filho único. Geralmente, são muito mimados e protegidos, pois os recursos financeiros não têm que ser divididos com outros. Isso pode lhes trazer problemas, pois na vida fora de casa, as coisas não serão assim. Seus desejos não serão satisfeitos e não será sempre o alvo das atenções e isso pode lhe causar muitas frustrações se não for capaz de perceber que o mundo não gira ao redor dele. Tem mais dificuldade em repartir e em se socializar.

Logicamente estas são características generalizadas e não necessariamente vão estar presentes, mas é interessante que pais e professores tenham claro estas tendências para que possam fazer as correções necessárias e gerar pessoas mais equilibradas. Tais estigmas impedem a evolução de um aspecto de personalidade e a única forma de sanar complexos ou deficiências que o lugar na família pode impor é ressaltar sempre o que a criança fez de positivo, elogiar sinceramente. É isto que fará a criança angariar forças para trabalhar com suas fragilidades e superar limitações que culturalmente lhes foram impostas, mas que não podem ditar quem estas crianças são.

Outro erro muito comum é a comparação entre irmãos: “Seu irmão é mais bonzinho”, “Por que você não faz como seu irmão?” Isso cria um ambiente de competição e ciúme que em nada ajuda, pois cada ser é único e deve ser trabalhado dentro desta perspectiva.
Ciente destas diferenças cabe aos pais e professores oferecer estímulos e responsabilidades da forma mais igualitária possível, porquanto a pressão do ambiente pode levar a desequilíbrios emocionais e de personalidade e comprometer toda uma encarnação. Ninguém é o filho mais velho, o caçula, o adotado, por acaso, tudo faz parte de um planejamento reencarnatório para que certos aspectos da personalidade sejam trabalhados, mas toda a ajuda para um desenvolvimento mais equilibrado é fundamental para o sucesso.


Leia mais:
•    Sensibilidade se desenvolve
•    Cuidados espirituais para ver Deus
•    O Universo que cada filho é – parte I
•    Comportamento Hereditário

Bibliografia

MELLO, M. H. Filhos e irmãos – preparação. in: http://www.homemdemello.com.br/psicologia/filhos.html. acessado em 09 de setembro de 2011 às 10 horas.
MORAIS, E. S. Estudo. Realizado em ocasião de Reunião do Grupo Escola. IPE – Instituto de Pesquisas Evolutivas. Paulínia, 21 de abril de 1999
LEAL, I. Cada filho, um  universo. In: Revista Máxima – ano 1 , nº 12, edição 12  de maio de 2011. Editora Abril.
Foto: © Marzanna Syncerz | Dreamstime.com

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