Terça, Setembro 26, 2017
   
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Pesquisa

O que fazer para criar filhos felizes

cirarfilhosQuantas vezes, enquanto pais ou professores, nos pegamos pensando em o que fazer para garantir que nossos filhos sejam felizes, bem sucedidos, pessoas de moral... Essa é a função de todo educador: propiciar instrumentos para que aqueles que estão sob nossos cuidados possam se desenvolver e evoluir. E é preciso estar preparado para isso.

Muitos buscam receitas, como se filhos (sobrinhos, afilhados ou alunos) viessem com manuais de instrução e bastasse segui-los para que tudo desse certo. As pesquisas nesta área, no entanto, apontam para algumas orientações que têm demonstrado bons resultados e todas se relacionam com habilidades que pais e professores precisam desenvolver para bem educar.

1-    Demonstrar amor e carinho: esta, em todas as pesquisas, é a habilidade que quando bem desenvolvida, possibilita filhos com maiores possibilidades de ser felizes. Amar e dar carinho significa respeitar diferenças, opiniões e valorizar potencialidades, sem, no entanto, ser permissivo. Amar é dar limites de forma respeitosa, dar bronca ou castigar no momento certo, mas saber separar um momento do outro, sem, por exemplo, ficar de cara feia o dia inteiro ou relembrar a toda hora o que o filho fez de errado. É ser pontual: falar o que é certo, na hora, tomar uma atitude para coibir o mau comportamento na hora que ele se manifesta e depois, continuar a viver a vida de forma light, pois somente assim podemos ser felizes. Mas, principalmente, amar é ser capaz de manifestar este sentimento em gestos, olhares e verbalmente. Dizer às crianças que as amamos não só lhes oferece a segurança do que sentimos por elas, como forma seres capazes de expressar também, o que sentem.

2-    Administrar o estresse: O estresse é uma reação do organismo devido à falta de ajuste a tensões normais do dia a dia, sejam elas internas ou externas, o que gera desequilíbrio em vários campos da vida. Portanto, é fundamental que pais e educadores garantam para si, momentos de relaxamento, de prática de atividades físicas e de reflexão sobre si mesmos, para que não se deixem levar pelos impulsos do estresse e tenham sempre, mesmo em momento mais tensos, uma atitude coerente em relação à educação das crianças. Manter a calma é o ponto-chave de uma boa educação e para isso, é preciso aprender a cuidar bem de si mesmo, primeiro.

3-    Manter uma boa relação com as pessoas: relacionar-se bem com os companheiros de trabalho ou com o cônjuge demonstrou ser fundamental no processo de educação de uma criança, pois querendo ou não, o exemplo acaba por ser mais forte do que as palavras e será a base de como a criança se relacionará com outros, até que seja capaz de perceber o erros dos adultos que a criaram e reverter o processo, o que muitas vezes, pode não acontecer. A posição de autoridade que pais e professores acabam por assumir na vida de uma criança pode tornar certos comportamentos inquestionáveis e fórmulas de se viver para toda uma vida. Crianças também não gostam de conflitos entre pessoas que elas amam, portanto, problemas sempre são resolvidos sem que estas estejam presentes e pequenos desentendimentos quando ocorrem na presença destas, devem ser sempre resolvidos e um se desculpar com o outro pelos seus erros, para que ela aprenda que viver com o outro também é errar e que um erro não diminui o amor que se sente um pelo outro.

4-    Incentivar à autonomia e independência: a partir dos 5 anos de idade, a criança já pode e deve ser estimulada a fazer suas próprias escolhas, como por exemplo, escolher entre dois vegetais para comer na hora do almoço ou entre dois conjuntos de roupa para vestir. O fato é que crianças que sempre têm sua vida regulada pela decisão de adultos tornam-se menos confiantes e sem iniciativa. As vivências, ou seja, experiências com as quais aprendemos e tiramos a base para bons comportamentos em nossa vida, muitas vezes, se concluem dos erros cometidos. O importante é que pais e professores dêem espaço para que as crianças decidam, segundo suas maturidades e experenciem o resultado de suas escolhas.

5-    Acompanhar a aprendizagem: isto não só se refere aos conteúdos escolares, bem como às lições que se aprende na convivência com os outros. Em relação à escola, é fundamental olhar cadernos, perguntar o que se aprendeu naquele dia e estimular a curiosidade. Se seu filho ficou encantado com a aula sobre animais, leve-o ao zoológico, compre um livro sobre ursos, assista um documentário na TV. Valorizar a disposição para aprender é fundamental. Em relação à convivência, a aprendizagem deve ser acompanhada, conversando sobre o resultado das decisões que foram tomadas, analisar as consequências e tirar a “moral da história”, levando a criança a refletir sobre o seu comportamento e sobre o que a faz feliz.

6-    Preparar para a vida: muitos pais e educadores consideram temas como sexo, morte, medos, dinheiro como assuntos tabu, delicados demais para ser lidados e, portanto, deixados de lado. Uma criança vê e entende muito mais do que os adultos pensam e quando não recebe as informações corretas para aquilo que não conseguiu concluir, pode acabar por gerar traumas, inseguranças, preconceitos. Uma linguagem simples e direta com informações adequadas para a idade prepara a criança para assumir suas responsabilidades. A mesada é uma excelente preparação para ser um adulto que não faz dívidas além do que suas posses lhe permitem.

7-    Estar atento ao comportamento: reconhecimento, elogio e castigo são temas bastante delicados quando nos referimos à educação. È preciso sempre lembrar à criança que, apesar dos vícios que ela possa ter, (e que muitas vezes ela reconhece) ela é um ser especial, de uma Origem divina. Portanto, uma ótima técnica é, toda vez que encontrá-la dizer-lhe que ela é boa, bonita e inteligente, colocando a mão em seus ombros e a olhando nos olhos. Depois de algum tempo, basta olhá-la nos olhos e tocar-lhe os ombros e ela se lembrará de quem ela é. Os bons comportamentos não precisam ser reforçados, tal qual se faz no adestramento de um cachorro, um toque ou um olhar de aprovação bastam e nem sempre, do contrário, se pode criar crianças inseguras e dependentes, que só terão certeza de que agiram bem se o outro lhe confirmar isso, não sendo capazes de uma auto-avaliação precisa. As conversas são a melhor forma de educar e os castigos devem ser inseridos sempre que a conversa não fizer efeito, por último, apenas, é que se podem tomar medidas mais drásticas, como um tapinha na mão ou no bumbum. O importante é não fugir à responsabilidade de educar, quer seja por dó ou por preguiça.

8-    Propiciar estilo de vida saudável: exercícios, boa alimentação, horas de sono, contato com a natureza, programas inteligentes. Seu filho será aquilo que você lhe oferecer, terá os hábitos que você desenvolver, gostará daquilo que lhe for oferecido como boa diversão. Se você é saudável, seu filho o será.

9-    Desenvolver a espiritualidade: espiritualidade é a capacidade de se conectar com tudo que tem a mesma Origem, expressando em atitudes, tudo o que beneficia e não prejudica a ninguém, nem mesmo para próprio benefício. Não tem nada a ver com religião, mas com o aprendizado de reverenciar cada pessoa e ser como seu semelhante. Cuidar de uma planta, conviver com animais são excelentes exercícios para desenvolver esta habilidade.

10-     Oferecer segurança: é não colocar os filhos em situações de risco, seja ele qual for e estar sempre atento às suas atividades e amizades. Contudo, esta pode ser uma “faca de dois gumes”, pois pais extremamente zelosos criam crianças titubeantes e medrosas, que deixam de aproveitar a vida.
Como vimos, criar crianças felizes depende, necessariamente, de nossa própria satisfação e felicidade, do contrário, o famoso ditado “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” passa a ser a base do sistema educacional e tudo que é construído sem uma base sólida desmorona. É isto que queremos para nossos filhos?

Leia mais:
•    Instrução e educação
•    Estresse
•    Independência e Liberdade

Bibliografia

EPSTEIN, R. Equilíbrio Essencial: 10 maneiras de estreitar laços de afeto e prepara filhos para a vida. Revista Mente e Cérebro. Nº 215. P. 27-33 São Paulo. Dezembro/2010.
MORAIS, E. S. Independência e Liberdade. Cartas ao Leitor. Jornal IPE - Extra&Físico. Ano XI. Nº 144. Paulínia, março de 2005.
MORAIS, E. S. Instituição e Educação. Mensagem transmitida pelo Amparador Izen. IPE – Instituto de Pesquisas Evolutivas.
MORGADO, A.J.S. Estresse. Jornal IPE - Extra&Físico. Ano XVII. Nº 207. Paulínia, junho de 2010.

Foto: © Yanik Chauvin | Dreamstime.com
Autora: Rossana Ribeiro da Graça Kikuti

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