Sábado, Maio 27, 2017
   
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Comportamento: Que a força esteja com você

forcaA troca da palavra “Deus” pela palavra “Força”, nesta famosa saudação dos cavaleiros Jedi da saga “Star Wars”, é um interessante ponto de reflexão. A maioria das religiões ocidentais nos ensina que Deus é onipresente, porém transcendente à manifestação humana, ao passo que as religiões orientais tendem a ver o divino como sendo imanente em tudo o que existe. A “Força”, nesta frase, acaba aproximando esta saudação cristã tradicional de algo mais próximo do conceito oriental de divindade, enaltecendo que só podemos existir enquanto seres por propósito próprio.

Força é energia em movimento e a energia quando imanente no Cosmo é neutra, ou seja, o bem ou o mal que resultam de seu uso é consequência direta da expressão dos valores que reconhecemos em nós e somos capazes de manifestar. A escolha entre bem e mal, luz e trevas ou entre o lado branco e lado negro da Força são resultado imediato da expressão destes valores no campo de nossa existência. Ou seja, a “Força” não impõe o bem ou o mal – estes dois polos só surgem através das escolhas que fazemos entre a luz ou a ausência dela (trevas).

Mas o que é a Luz sob este ponto de vista metafísico? A luz representa o resultado da expressão das virtudes no campo da existência, capaz de conduzir a nós e àqueles que nos cercam na direção da felicidade e da eternidade do existir. Quando usamos a força para expressar virtudes como a generosidade, temperança, senso de justiça e compaixão estamos consolidando, em nós, o divino que, muitas vezes, é visto somente como foco de respeito e devoção.

Não adianta esperar que Deus ou qualquer pessoa nos reconheça de maneira espontânea pelos valores que temos, sejam estes bons ou ruins. Este reconhecimento, mesmo que verbal, será vazio e sem sentido, se dentro de nós não existir o reconhecimento autêntico destes valores. Tal reconhecimento só acontece através da forma como utilizamos a “Força” para expressar tais valores.

Se nossa decisão é pelo Existir, Força e Virtude devem andar lado a lado para que a realidade ou a luz se faça presente em nossa manifestação. Esta decisão cabe somente a nós: não cabe ao nosso semelhante, a um mestre Jedi e nem mesmo a um Deus transcendente à nossa manifestação.

O nosso próprio corpo físico é, geneticamente falando, resultado daquilo que “comemos”, ou em última análise, das escolhas que fazemos para selecionar os alimentos que ingerimos e do estilo de vida que adotamos. Os alimentos representam energia e “Força”. Quando os nutrientes resultantes da digestão dos alimentos são carregados pela corrente sanguínea até as células, estas respondem geneticamente promovendo transformações em nosso organismo que podem resultar tanto em saúde quanto em doença. Ou seja, até o nosso corpo físico só está da maneira como está por propósito próprio.

Tudo aquilo em que acreditamos interfere no resultado de nossas conquistas. Se acreditarmos que somos invejosos, incapazes de aprender uma língua nova, de falar em público ou de abrir mão de um vício, estamos limitando o escopo de expansão de nossa mente para uma zona restrita de possibilidades de crescimento e de evolução. Ao passo que se reconhecemos nossas limitações e ao mesmo tempo percebemos dentro de nós a “Força” e os valores necessários para nos transformar em seres melhores, assim o faremos.

Nenhuma bênção cai do céu. Todas elas nascem genuinamente dentro de cada um de nós, porque em última instância, somos os responsáveis por gerar e portar a Luz através da “Força” para que, conscientemente, a Luz exista por toda a eternidade.

Autor: Rodrigo Dias Morgado
Fontes: You are, genetically speaking, what you eat - D. Chopra e T. Rudolph
Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - A. Comte-Sponville
What You Believe Affects What You Achieve - B. Gates
Star Wars Episode IV: A New Hope - G. Lucas
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