Domingo, Julho 23, 2017
   
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Pesquisa

Comportamento - Homem de estimação

animaisO homem se pressupõe um ser superior achando que tudo em torno de si está para servi-lo, isto é, a natureza encontra-se a sua disposição. Na sua pretensão de ser superior, se elege como único possuidor de inteligência e, por assim pensar, de ter o direito de domínio sobre outros reinos, por ele dito “inferiores”.

Em relação à natureza, com seus cinco elementos (terra, fogo, água e ar), observamos o seu domínio predatório, estando ciente, o homem, que na degradação desses elementos está cavando a sua própria sepultura, como comumente se diz. Quanto aos seres vivos, utiliza-os a seu bel prazer, e mesmo alguns homens que demonstram sentimento, pensam que é de sua responsabilidade o desenvolvimento do animal. Quanta pretensão! Ainda não analisaram a possibilidade desses seres (animais), já serem evoluídos dentro do seu próprio sistema, diferenciando este, do sistema evolutivo do homem e que são esses seres detentores de inteligência que difere com a do homem?

Ao escrever este artigo, procurei enxergar o prisma por um outro lado, isto porque, as pesquisas que realizei sempre apontavam o homem como o provedor do desenvolvimento afetivo e intelectivo dos animais. Percebi que é ao contrário; são eles, os animais, que na sua convivência com o homem colaboram com o desenvolvimento afetivo humano. Sou privilegiada em ser o “dono” de estimação de um papagaio, uma calopsita, uma tartaruga (todos doados) e duas cachorras (adotadas). Aprendi com eles o respeito, por exemplo, quando os pássaros estão com sono não estão dispostos a brincadeiras, se tornando rabugentos. Tenho então que respeitar seu humor. Aprendi em momentos de crise, a preservar o bom humor quando, por exemplo, em discussão com o meu marido o papagaio começa a gritar: - “fica quieto”, e ambos damos risadas acabando então a briga.

Com os cães nota-se a sabedoria, a meiguice, a alegria no olhar. Incentivam a dar carinho, incentivam a alegria quando nos chamam para brincar e nos respeitam quando estamos introspectivos. Infelizmente, muitas das pretensas emoções que declaramos ter o animal, são elas assimiladas pelo contato com o homem. Alguns cães, por exemplo, demonstram agressividade, isto porque assim lhes foi ensinado a ser, como adestrados para atacar; outros são melindrosos e mimados, por vezes, características de seus donos. Nestes casos, observa-se a influência negativa do homem sobre o animal.

A influência do animal sobre o homem se torna bem evidente ao ser colocado em convívio com pessoas portadoras de algumas doenças. Assim, por exemplo, os golfinhos, gatos, cães, cavalos e outros, colaboram no tratamento de crianças com necessidades especiais, autistas, pessoas depressivas, idosas, etc. O contato com os animais desabrocha no homem seus valores espirituais, tornando-o calmo, paciente, alegre, esperançoso. Agora eu pergunto, o homem é o amigo do animal ou é o animal o amigo do homem?

Para mim, o animal é o amigo, porém, nem todos os homens reconhecem esta amizade. Recebem-na gratuitamente, mas não há reciprocidade. Vive o homem com o animal, mas não convive com ele. Dão-lhes banho (nem todos), comida, mas não permitem que convivam consigo como um amigo, frequentando a sua casa, compartilhando dos seus sentimentos.

Possui o animal como um adorno da sua casa ou então porque ouviu alguém falar, que quem tem um animal tem sensibilidade, é sensível. Que autoengano! Ou, a quem pensam que enganam? Não tem como disfarçar que tipo de relação existe entre o homem e o animal ou outro ser da natureza.

Na veracidade do sentimento com relação às creaturas de Deus, se percebe o amor em relação ao próprio Creador. E eu, agradeço ser um homem de estimação dos animais.