Sábado, Maio 27, 2017
   
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Cuidado com o bonzinho

bonzinhoVocê já disse sim quando queria dizer não? Já se predispôs a fazer algo que não queria por interesse? Exerce sempre a função de conciliador entre conflitos? Já deu risada forçada por “educação”? Consome-se de culpa quando desaponta alguém? Já engoliu muito sapo no trabalho? Se as respostas foram sim para as perguntas você tem fortes indícios em ser o bonzinho. Mas, afinal, o que significa ser o bonzinho?

O bonzinho é a pessoa que possui uma neurose com a sua imagem de agradável e boa praça com todos de seu convívio. Ele se esforça com veemência em ser solícito e disponível no ambiente social. No entanto, sua “bondade” não é verídica. Na verdade, é uma pseudo-bondade, comandada por sua vaidade e orgulho, por isso ele é apelidado de bonzinho. Manter sua imagem é um trabalho cansativo, sendo inevitável a criação de uma válvula de escape, ou seja, um período de extravasamento de seu estado interno, o que geralmente ocorre acompanhado de mau-humor, agressividade e impaciência com parentes ou pessoas mais próximas.

Muitas vezes o bonzinho não é totalmente consciente deste processo e não enxerga a problemática com clareza. Certa vez, Max Gehringer, no seu programa da rádio CBN Brasil, que aborda a empregabilidade no mundo corporativo, recebeu um e-mail de um ouvinte inconformado por assistir todos ao seu redor serem promovidos, inclusive funcionários que, segundo ele, tinham um desempenho bem inferior ao seu. Este funcionário se definia eficiente por sempre realizar as tarefas que lhe eram conferidas com exatidão. Max Geringer o elucidou explicando que ele era o funcionário bonzinho, ou seja, era o funcionário que não se arriscava ou ousava no seu trabalho, não expunha suas ideias e que esta era uma maneira de não se comprometer com a empresa e, portanto, não se destacava a ponto de ser promovido.

Este é o ponto chave do bonzinho: ele não gosta de se comprometer com as pessoas e com as situações. O comprometimento significa, muitas vezes, discordar de idéias e opiniões, apontar comportamentos que precisam ser trabalhados, vincular-se com projetos e pessoas que não se possui afinidade. Enfim, ter dores de cabeça e preocupações, inevitáveis quando alguém se compromete com algo. Como o bonzinho foge de atritos e não se posiciona nas diversas situações que a vida apresenta, ele acaba por criar uma imagem falsa de si e, o pior, acaba acreditando ser ela.

Mudando a postura

Falar o que “dá na telha” não é o antídoto para mudar a postura de bonzinho, mas se colocar de maneira racional, sem emocionalismos ou parcialismos, pode ser o início desta mudança. Este treino ajuda o bonzinho retirar esta máscara tão desgastante. Como se diz, é impossível agradar a todos, pois, na verdade, agradar deve ser um carinho autêntico para com as pessoas e não um recurso de sedução .
Muitas vezes o excesso de simpatia, excesso de palavras afáveis, de sorrisos, evidencia a tentativa do bonzinho em contornar situações difíceis, não com a clareza de uma assertividade , mas com a subjetividade de quem arquiteta fazer prevalecer sua vontade. Por exemplo, o bonzinho sempre prefere fazer com que o outro perceba o que ele necessita, sem precisar falar diretamente.

Para reverter este quadro, este ser deve se desapegar das confortáveis conveniências sociais veladas sutilmente pelo mau caráter dos envolvidos. Não se posicionar no correto, no bem, é uma predisposição para a conivência com o errado, pois o maior compromisso não é social e sim espiritual, é com a própria Consciência, ainda que suas atitudes sejam mal interpretadas ou que, de fato, promovam uma ruptura ou atrito no convívio social.

Portanto, ser bom de fato é transformar o egoísmo em interesse sincero pelo próximo, participar da vida dele, ser amigo, não viver a vida em cima do muro, mas tomar partido pelo que a Consciência guia como correto.

Fontes:
Rádio CBN Brasil. Programa Max Gehringer
Livro: Seja assertivo! Autora: Vera Martins

Saiba mais:

Neurose –     terrmo para doença emocional que deriva de duas palavras gregas: neuron (nervo) e osis (condição doente ou anormal). A neurose é um distúrbio emocional que atinge o sistema nervoso, podendo acarretar em ansiedade, depressão, transtornos obsessivo compulsivo (toc), entre outros distúrbios. O neurótico não possui grandes distorções da realidade, conseguindo conviver no meio social, mas tem dificuldades de relacionamentos pelas distorções da realidade. Normalmente é polarizado em seus aspectos pessoais e não é produtivo a ponto de sair de seu egoísmo e agir em altruísmo. Esta ação produtiva é o antídoto contra as neuroses.

Sedução –     técnica de manipulação energética com objetivo de persuadir o livre arbítrio alheio através de toques, gestos, oratória convincente, simpatia intencional, etc. A expressão é imantada de energia sexual que confunde e entorpece a clareza mental da vítima, ocasionada pela agitação física/ emocional da vibração densa invasiva em seu campo áurico.

Assertividade –     postura que afirma a Consciência do ser nas relações interpessoais sem receios de conveniências, atritos e conseqüências desagradáveis. O termo assertividade, segundo Vera Martins autora do livro Seja assertivo!, origina-se de asserção. Fazer asserções quer dizer afirmar, do latim afirmare, tornar firme, consolidar, confirmar e declarar com firmeza. A assertividade, unida à humildade e ao respeito, estabelece uma comunicação simples e direta que proporciona uma relação ética entre as pessoas e contribui para a evolução dos envolvidos, pois o assertivo consciente é o ser que está comprometido com a Vida.

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