Ninguém diz nada por acaso…

Já ouvi dizer e já disse muitas vezes: “Não era bem isso que eu queria dizer”, mas aprendi em uma de minhas últimas seções de terapia que esse é o maior engodo que a personalidade pode dar em nossa consciência.

Na verdade, quando dizemos isso, estamos tentando suavizar ou encobrir nossa verdadeira intenção e objetivo dentro de uma situação e, se fazemos isto, é porque temos a certeza de que o que dissemos pode nos prejudicar de alguma forma, pois revela um lado nosso que, geralmente queremos esconder. Descobri isso quando fui solicitada a responder uma pergunta sobre determinada pessoa e ao começar a frase iniciei dizendo que, em determinada situação eu a estava testa…(testando) e, rapidamente troquei a palavra inicial por observando. Bem, testar e observar são totalmente diferentes. Testar alguém é colocar em jogo suas capacidades e habilidades e, até mesmo, usar os resultados obtidos de tal teste para justificar nossas próprias atitudes. Algo cruel quando pensamos em uma relação de amizade, o que era o caso.

Testar, necessariamente, envolve um julgamento de certo ou errado, geralmente partindo do pressuposto de que a razão está do nosso lado. “Ah, mas eu só queria saber que fulano ia dizer (ou fazer)? Pra quê, com que objetivo, no que esta informação seria útil para se tornar um ser melhor?

Um ser em evolução não pode se permitir usar as pessoas como ratos de laboratório para corroborar suas hipóteses ou mesmo para se auto-afirmar, para ter a certeza de que ele está fazendo algo certo. Se ao narrar uma conversa ou experiência sua personalidade precisa suavizar termos, ela o está enganando. Ela quer fazer parecer uma situação justificável ou aceitável, quando, em quase todas as vezes, ela não é.

Quem observa se detém apenas na informação observada com o intuito de apreender com ela e empregá-la em sua autotransformação e nunca, para justificar este ou aquele comportamento. Quem observa, observa a si dentro de um contexto maior, para a partir disto, tomar alguma ação: calar, falar, agir…

É muito duro perceber-se cruel com as pessoas ou com as situações. O bonzinho, o simpático, o anfitrião muitas vezes escondem atrás de si uma necessidade de aprovação, reconhecimento e baixa estima que se não analisadas a frio, podem levar a um auto-engano evolutivo por décadas. Pra isto serve uma seção de terapia, para ajudar a nos desmascarar e colocar a personalidade debaixo do jugo de nossos valores e não permitir que o contrário aconteça.

Foi difícil flagrar-me em uma situação que exigia o melhor de mim a ser dado para o outro, exigindo que o outro reconhecesse o meu valor ou “bondade”. Tenho ambos, mas realmente, eles não estiveram presentes naquela situação.

Recomendo a leitura do texto “Pra quê?”, da psicóloga Elaine Sanches de Oliveira em seu blog, www.psicologiaparatodos202.wordpress.com. Ele nos ajuda em uma análise mais profunda de nossos comportamentos e nos faz descobrir que energia está por trás de tudo o que pensamos, dizemos ou nos omitimos de fazer.

Perceber-se camuflando segundas intenções é difícil e muito duro, mas necessário se queremos ser seres melhores,

Até a próxima!

Autora: Rossana Ribeiro da Graça Kikuti

Imagem: Fotolia 4204466 ©

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