Carta ao Leitor – Dez técnicas para o bem viver

viverOs dez mandamentos são o conjunto de técnicas para o bem viver, dadas a Moisés por Deus, com o objetivo de reger a nossa moral, delineando uma maneira espiritual de viver, com tranquilidade.

Os mandamentos não têm nada a ver com religião. São valores de vida, que buscam a melhor maneira de viver social, psicológica e espiritualmente. São técnicas para que aprendêssemos a trabalhar com as Leis Cósmicas e viver bem. Na época de Moisés serviram para refrear comportamentos inadequados e hoje também têm esta serventia, pois hoje podemos ter uma compreensão mais profunda de seu significado, que vai além das palavras. Estudemos pois, os mandamentos, com a capacidade mental que temos hoje.

1º mandamento: “Amar a Deus como único e acima de tudo” Na época de Moisés, vários povos tinham muitos deuses aos quais cultuavam e estes deuses variavam de povo para povo, e sempre eram idolatrados com objetivo de benefícios pessoais. Assim se fazia oferenda para os deuses para se obter poder, enriquecer, conquistar o amor de alguém. Se assim continuasse, Deus temia que as coisas piorassem, já que a idolatria e o culto a outros deuses fomentam o partidarismo separatista, as conveniências, as guerras religiosas, o racismo e a xenofobia. Deus é um, a Lei é uma e cabe a todos. É a totalidade; quando há divisão sempre haverá briga e infelicidade. As religiões são um exemplo disto: quem tem mais poder religioso, consequentemente tem mais poder monetário, eis o motivo das brigas entre as religiões. O universalismo é a meta evolutiva, pois iguala os homens perante Deus, por serem Imagem e Semelhança d’Ele. Exemplos contemporâneos de desrespeito a este mandamento são a proibição da entrada de pessoas ou produtos de um país em outro ou ainda comentar “ isso é coisa de baiano”, quando nos referimos a algo de mau gosto, por exemplo. Como se só o baiano tivesse mau gosto ou como se nós fôssemos melhor que eles, por ter nascido em outro lugar.

2º mandamento: “Não usar o nome de Deus em vão” O mau uso e abuso destes mandamento faz prevalecer os malefícios do domínio econômico, político e social, incentivando as Guerras Santas, as Cruzadas e as Inquisições. Quando mau utilizado, este mandamento serve para dominar e oprimir as pessoas, por exemplo, quando juramos por Deus, para que a nossa palavra tenha crédito, ou chamamos por ele a todo momento, principalmente como se ele fosse o culpado pelas coisas não saírem do jeito que queríamos. O nosso crédito é respaldado pela nossa Origem e só podemos falar em nome de Deus, quando expressamos a nossa divindade e a nossa moral. Portanto, nos dias de hoje, infringir este mandamento consiste em sabermos o que tem que ser feito e não fazer, em nos autoenganar usando vernizes para não demonstrar quais nossas intenções e pensamentos ou não expressarmos as nossas virtudes. Respeitar este mandamento é agir segundo a nossa verdade e natureza divinas.

3º mandamento: “Guardar o dia Santo” O descanso é direito adquirido pelo serviço veridicamente realizado e servir é diferente de trabalhar. Trabalho é o exercício dinâmico para próprio interesse e sustento. Implica necessariamente em instinto de autoafirmação (sobrevivência, gregário e procriação), que refere-se ao carma pessoal e grupal. É o trabalho que nos permite sobreviver ou viver num certo padrão, mas ele não pode ser o mais importante. O mais importante é o serviço, que é espiritualizado. Serve aquele que se esforça em ser à Imagem e Semelhança de Deus, beneficiando a si a e a todo mundo na Humanidade. É aquele que lembra de apagar a luz e de fechar a torneira enquanto escova os dentes, porque sabe que este é um bem esgotável e que seu desperdício, influenciará a vida de todos, mas é aquele que acima de tudo, se transforma, procurando expressar as suas virtudes, porque sabe que cada movimento seu influencia a vida de todos no sistema. Quem realiza, acrescenta um ponto na eternidade. Este é o servidor.

4º mandamento: “Honrar pai e mãe” Honra é viver em dignidade, segundo a expressão do Espírito e a nossa verdadeira natureza. Desde o nosso nascimento, a história de nossos pais nos acompanha e devemos decidir o que queremos dela, o que seja bom e que nos torne pessoas melhores, honrando a energia que nos doaram para que pudéssemos evoluir. Respeitar este mandamento é ter a dignidade de reconhecer que dois seres se uniram para nos dar a oportunidade de vida e temos que dar a eles a oportunidade de crescer também, sendo exemplo e facilitando-lhes a jornada.

5º mandamento: “Não matarás” A vida corresponde ao processo infinito de manifestação do Creador. O período de vida finito tem por objetivo adquirir vivências e os veículos utilizados por nós devem expressar toda a alma do Espírito – as virtudes, para que cheguemos à eternidade. Matar significa impedir a manifestação de Vida nos seres existentes. Dar a vida a uma pessoa e gerar-lhe oportunidades de crescer e evoluir, quando impedimos que um ser aproveite oportunidades ou ainda quando não lhe geramos oportunidades, estamos matando-o, pois estamos tirando a oportunidade de ter uma experiência e alimentar a sua alma com Vida. Portanto, aquele que segue este mandamento sempre favorece a todos, aumentando a capacidade de Vida de todo o grupo.

6º mandamento: “Não cometerás adultério” O homem é um ser integral, que vive porque respira com os pulmões do Creador. O adultério não é um mal isolado naqueles que o cometem, por isso foi exigida como conduta moral em um dos dez mandamentos. É fundamental que reconheçamos no parceiro ou parceira, a expressão viva de Deus, amando no próximo o Creador que nele vive. Quando erramos, todos sofrem as consequências. O casamento é uma responsabilidade de vida, não é uma coisa fácil, tanto é que para ser consumado exige a presença de um juiz e de testemunhas. Casamos pelo processo cármico para a evolução e é um efeito que vai influenciar o resto de nossas vidas. Procuramos no outro que ele seja perfeito, quando nós mesmos não somos e começamos a querer procurar isso em outros. O adúltero não resolve o seu problema, mas apenas muda de problema, pois o cerne da questão está na sua forma de levar a vida e não no outro.

7º mandamento: “Não furtarás” Qualquer pessoa que invade qualquer um de nossos espaços roubará nossa intimidade e nos privará desta condição tão única e de direito de cada um. O furto sempre vai além do material, devemos ter cuidado com os vampiros energéticos e, principalmente, cuidar para não ser um deles. Não podemos invadir a privacidade e a intimidade de ninguém, pois quando Deus nos deu uma característica pessoal, nos deu este direito. A mulher que impede que o marido vá jogar bola porque ela ficou o dia inteiro sozinha, o mau-humorado, aquele que nega a oportunidade de estudos a alguém, todos eles estão roubando a oportunidade de convivência e de crescimento do outro. Energeticamente, quando não estamos bem ou ainda quando invejamos qualquer aspecto da vida do outro, também acabamos por roubar-lhe a vida, pois lhe tiramos a tranquilidade. Tornamo-nos vampiros. Vampiros são pessoas que ficam importunando e que causam desgaste. O melhor exercício para não nos tornarmos vampiros é facilitar a vida das pessoas.

8º mandamento: “Não dirás falso testemunho contra teu irmão” Nos extremos de baixa estima e supervalorização não existem valores reais e é onde cometemos a aberração da maledicência: o falso testemunho. A crítica é a exteriorização momentânea de nossa supervalorização ou de nossa baixa estima. Quando criticamos uma pessoa, podemos bloqueá-la e entraremos no mandamento anterior: não furtarás. Não existe crítica construtiva. Aquele que sabe como deve ser feito, deve fazê-lo e não esperar que o outro faça ou criticá-lo porque não faz. Também levantamos falso testemunho contra nós mesmos quando nos autoenganamos ou autocorrompemos, para não ter que enfrentar os nossos comportamentos. Mentimos muito para nós mesmos: “engordo de ansiedade” ou faço regime na frente dos outros e assalto a geladeira ou ainda, tenho preguiça. É preciso que procuremos as nossas autocorrupções e as resolvamos. Esses são os exemplos mais comuns na atualidade, de desrespeito a este mandamento.

9º mandamento: “Não cobiçarás a casa de teu próximo” A cobiça tem a raiz na inveja, que se sedimenta na falta de nos reconhecermos em Deus. A falta de divindade interna leva-nos à idolatria do externo. Para não sermos invejosos, é preciso ter intimidade como nosso interior divino e isto é um trabalho que cada um realiza a sós com Deus. O invejoso não sabe a diferença entre ter e ser. Em verdade, não sabemos quem somos. Somos grandes herdeiros e tudo nos pertence e, portanto, não precisamos invejar nada. Ser significa ter a capacidade de viver em Paz em qualquer situação, sabendo qual é a nossa verdadeira identidade. Segundo o nosso movimento é o nosso futuro, portanto podemos começar a construir hoje o que queremos para o amanhã. Está tudo em nossas mãos, basta nos movermos no sentido que desejarmos.

10º mandamento: “Não cobiçarás a mulher do teu irmão” O desejo provém da emoção, que se manifesta pelo impulso de autoafirmação, que faz o homem caminhar sem ter noção do que significa a Espiritualidade. O instinto e o desejo distorcem a percepção da Vida. O desejo e o pensamento desordenados são os que criam a ilusão. Tanto o instinto, como o desejo desenfreados obstruem a Vida. Desejar algo que nos faz falta ou algo que nos completa é afirmar-se em valores que não temos. Quando desejamos, pensamos, quando pensamos, criamos formas e se a forma não for positiva, nos trará intranquilidade. É difícil aprendermos a controlar esta energia, mas é possível e só assim construiremos a paz.

Jesus sintetizou, muito tempo depois, os 10 mandamentos de Moisés em dois: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.” Amar significa sabedoria. Quem ama sabe como viver, respeitando a convivência e convive em paz. Significa evolução, pois amor só é possível com compreensão e sabedoria. É saber que o próximo é igualzinho a você. Se não há divergências, o mundo tem paz e nós também teremos paz. Eis a fórmula do bem-viver.

Um abraço, querido leitor

Elaine Sanches Morais

Colaboração: Evilin S. Morais e Rossana R. da Graça Kikuti

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