Carta ao Leitor – Porque falar tanto de si mesmo?

mulher-faz-silencio1Caro leitor, no livro Seja Feliz, de Elaine Sanches Morais, os versos 73 e 74, nos dizem que, se falamos muito sobre nós mesmos, devemos ficar atentos, pois nos encontramos num processo de egocentrismo.

No dicionário Houaiss, temos como definição de egocentrismo: “condição ou caráter de egocêntrico; conjunto de atitudes ou comportamentos indicando que um indivíduo se refere essencialmente a si mesmo;” e de egocêntrico: “aquele que exibe atitudes ou comportamentos voltados para si mesmo, de modo relativamente insensível às preocupações dos outros.”

Esse tipo de egoísmo nos mantém afastados dos demais por uma decisão nossa, não tendo e nem recebendo afeto por medo de participar. Características como rivalidades, disputas, a busca pelo controle, fazem parte desse processo do egocêntrico, pois a incerteza de sua importância faz com que se queira manipular as situações. A criança é egocêntrica por estar aprendendo a compartilhar na convivência, quando esse comportamento se mantém no adulto não é natural. Ocorre pelo processo de autoafirmação instintual, querendo ser sempre o centro das atenções.

Esse tipo de comportamento é um vício e como tal deve ser trabalhado e transformado. Porque, além de nos isolar frente as demais pessoas, também nos isola de quaisquer energias divinas, pois se estamos centrados em nós mesmos, não há nenhum canal por onde a energia de vida possa fluir, demonstrando o quanto somos ingratos. Vou explicar melhor. Todos nós temos uma composição energética formada pela somatória de todas nossas energias: físicas, emocionais, mentais e também espirituais, resultando num campo energético, chamado de aura.

A aura é o limite que nossas energias alcançam, é o nosso universo. Faz parte do processo evolutivo a ampliação desse alcance energético. Contudo, o egocêntrico se movimenta no sentido oposto ao do processo evolutivo, pois converge suas energias para seu núcleo, ocasionando uma diminuição de sua aura. Se nosso movimento é o oposto do que devemos fazer para evoluir, estamos negando a energia divina que nos impulsiona à Vida, à evolução, num processo explícito de rebeldia e ingratidão.

A coisa é tão séria que nosso universo vai diminuindo e vamos perdendo a referência de quem somos e, ao invés de buscar uma solução, intensificamos nossa busca pela motivação para nos autoafirmar no perecível, em estímulos externos. Quando nos autoafirmamos pelo fator externo, ou seja, quando dependemos de elogios, de estarmos em evidência o tempo todo, estamos trabalhando com as energias instintuais, aquelas abaixo do diafragma. Essas energias não são suficientes para nos satisfazer, então queremos sempre mais e passamos a depender dos outros para que tenhamos um segundo dessa autoafirmação, desse sentir-se vivo. Tudo isso gera um grande sofrimento, porque nos sentimos sozinhos, carentes de atenção e ficamos num ciclo vicioso, que só acabará se agirmos contra esse vício.

Como ainda nos diz o Seja Feliz, a solução é compartilhar. O egocêntrico pode querer se justificar que exatamente compartilha de sua vida, todos sabem o que faz e diz a todos tudo, sendo “um livro aberto”. Isso não é compartilhar, é se exibir. Quantas vezes que falamos de nós mesmos foi porque alguém perguntou? E quando perguntam, quantas vezes nos limitamos a responder aquilo que nos foi perguntado? Para um egocêntrico, pouquíssimas vezes.

Para sairmos desse movimento entrópico, devemos nos autoafirmar espiritualmente, pois nos sentiremos vivos sem abrir a boca. A sensação de vida estará em nós, porque realizamos nossas ações pela eternidade cumprindo nosso papel, recebido de herança do Creador, que é crear perpetuando sua Creação, ou seja, indo de acordo com Suas Leis e Sua Ordem. Antes de nos autoafirmar espiritualmente, precisamos reconhecer nossas falsas necessidades, que são nossas criações negativas, o que a personalidade quer de nós.

Por exemplo, o que nos serve o carro do ano, se nossos pais não têm sequer um plano de saúde? Outras são mais subjetivas, como nossa dependência emocional, nossas crises, vergonhas, fingimentos, fantasias, achar que a vida é um sofrimento só, somos sempre vítimas, dependentes emocionais das opiniões alheias. Tudo isso é passageiro, não refletem nossas reais necessidades.

Para que saiamos disso, temos que ter coragem para assumir a nossa vida, quem somos e ter plena responsabilidade pelos nossos atos, desenvolvendo a lucidez sobre o que queremos, nossas reais necessidades que são: o bom humor, a força para viver cada vez melhor, a gratidão, a ação e a realização e com isso, vamos desenvolver nossa autoestima, ficando ausentes o medo, a culpa, a incerteza, a inadequação, a dúvida, os complexos, as fraquezas, a solidão e as carências.

Com isso vamos nos adequando melhor ao ambiente e vamos estar internamente prontos para conviver. Para conviver temos que abrir e permitir que as pessoas adentrem no nosso universo, e a adentrar no universo das pessoas, se elas assim o permitirem, de forma a viver com o outro sem causar ou receber um mal, mesmo que por conveniência. É um treino para o segundo passo que é participar. Realmente ter uma parceria na vida do outro. Para chegar nesse ponto precisamos identificar as nossas reais necessidades e dos demais e depois partir para o terceiro ponto, que é interagir, quando, na ação conjunta, somamos forças para construir algo de melhor para todos os seres.

Nossas reais necessidades estão pautadas em criações positivas, beneficiando todos os que, por qualquer motivo, entrarem em contato com nossa energia, ou seja, todo o sistema humanidade. Com tanta transformação a fazer renunciaremos a nós mesmos e, com isso, deixaremos de falar tanto em nós e mobilizaremos energias acima do diafragma, que são energias mais superiores. Não haverá tempo para culpas, mágoas, melindres e similares. Toda vez que percebemos que estamos tendo uma recaída devemos lembrar que não estamos sozinhos, que devemos nos amar como somos e amar aos demais, que o outro só pode nos amar se permitirmos sentir isso, abrindo nosso campo para receber.

E devemos acima de tudo lembrar que a única forma de ser grato ao tanto recebido de graça é agir sem descanso, de forma que nossas realizações facilitem e criem oportunidades de vida para todos. É nos centralizar na Vida e nos esquecer de nosso centro, pois ele estará tão amplo que já não terá tanta relevância, o outro fará parte de nós e nós dele, atingindo a convivência plena. É enxergar Deus em todos e em nós mesmos.

Um abraço, querido leitor,

Andréia J. de O. Sanches

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