Ciência & Vida: Corpo e Movimento

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Quando ainda bebê, o ser humano ensaia uma série de movimentos que lhe permitem perceber as distâncias, as larguras e as profundidades, imprimindo em seu cérebro noções de tridimensionalidade.

A criança desconhece a luta contra a inércia que o adulto experimenta, pois seus movimentos são variados e cheios de vigor, não encontrando barreiras para dobrar, flexionar, estender e alongar o corpo todo em qualquer horário do dia. Entretanto, na fase adulta, tais habilidades podem ficar adormecidas e ”enferrujadas” devido às facilidades da vida moderna, que exige um número de movimentos cada vez menor do ser humano. Basta acionar os inúmeros aplicativos virtuais para pedir pizza, receber em casa a lista do supermercado, a refeição do dia, etc. Disso resulta que para muitos, os movimentos corporais se restringem ao mínimo necessário para permitir a rotina. E o corpo como reage a tão pouco movimento e a grande carga de estresse diário? É notável a demanda de medicamentos para combater a rigidez muscular que causa dores e dificulta o relaxamento e o sono. 

A vida profissional de grande parte da população mundial é realizada em pé ou sentada, com movimentos repetitivos que exigem maior trabalho de certos grupos musculares, enquanto os demais permanecem inativos, o que traz prejuizo a médio e longo prazo, como é o caso de dentistas, operadores de máquinas, costureiras, manicures etc, Este fato é enunciado claramente pela OMS, Organização Mundial de Saúde, que considera que ”a saúde pode ser afetada pela falta de atividade muscular suficiente”. Mais do que apenas movimentar-se, é preciso fazer com que os músculos superficiais e os músculos profundos possam ser trabalhados, a fim de aumentar a sensação de bem-estar.

Projetado para movimentos amplos, quando saudável e bem trabalhado, o corpo nos permite realizar as tarefas inerentes ao cotidiano e outras tantas mais, como praticar esportes, correr, nadar, saltar, se equilibrar numa prancha de surf, em um par de patins, numa bicicleta, etc. Dentre tantas modalidades, o alongamento não pode ser deixado para trás.

Determinados segmentos da filosofia do Yoga, como o Hatha Yoga, inclui a execução de posturas ou âsanas para permitir o alinhamento corporal e ajudar o praticante a permanecer sentado ereto e imóvel, por mais tempo nas práticas meditativas, com espontânea naturalidade. Patânjali, considerado a principal referência literária do Yoga, comenta em seus postulados que a postura deve ser ”estável e confortável”.

Como atividade corporal, o praticante que desenvolve a disciplina de realizá-las cerca de meia hora diariamente, possibilita ao seu corpo melhorar a simetria e equilíbrio sem uso de equipamentos sofisticados e a desfrutar de inúmeros benefícios biológicos e psíquicos, mantendo o vigor, a locomoção e a amplitude de movimentos mesmo na fase mais adiantada em anos. Afinal, a restrição de movimentos em qualquer idade solapa a liberdade de ir e vir.

A realização dos âsanas engloba diversos tipos de movimentos corporais como estiramento, flexão, retroflexão e torções do tronco, entre outros. Associados a técnicas de exercícios respiratórios e executados de forma lenta e consciente, os âsanas, desenvolvem força, flexibilidade, equilíbrio e alongamento da musculatura.

O controle da respiração é significativo para diminuir a oscilação da mente e trazer o aquietamento ao corpo físico e emocional, melhorando o equilíbrio e a concentração. Vale ressaltar que um dos componentes importantes à realização dos âsanas ou posturas é o emprego da força da mente para levar o prâna, energia vital, até a região trabalhada, dirigindo também o fluxo sanguíneo ao local.

É a ênfase na integração corpo e mente que a diferencia das demais modalidades de exercícios físicos. Do ponto de vista fisiológico, os âsanas exercem ação mecânica sobre vísceras e glândulas. A exemplo, podemos citar a permanência nas posturas de lateralização do tronco – enquanto determinado grupo de músculos está sendo alongado de um lado, o outro é comprimido – realizando uma massagem nos órgãos internos. Em geral, a técnica é realizada com movimentos lentos, descanso entre as posturas e permanência na postura mais do que a repetição, o que favorece para aumentar a consciência corporal. Alexander Lowen comenta que ”saber a verdade sobre o corpo é ter consciência de seus movimentos, de seus impulsos, de suas limitações (…) sentir o que acontece dentro do corpo.”

Aprendemos vivenciando a postura e aguçando a sensibilidade para sentir os pontos de tensão, rigidez, a expressão da ansiedade, o que permite interferir relaxando, direcionando a força para o local apropriado, distensionando músculos desnecessários a realização de certos movimentos, como é o caso dos ombros e a cervical, onde é de costume empregar a força que deveria ser feita a partir da cintura pélvica e abdome.

É importante saber que a quebra das habilidades motoras conquistadas na infância podem ser recuperadas em grande parte, aplicável a qualquer idade respeitando os limites atuais e expandindo o movimento gradativamente. Com a disciplina de exercitar-se periodicamente, você pode reverter as limitações e reestruturar seus movimentos corporais.

Autora: Roseli Marques da Silva
Fontes: Curso Básico de Yoga – G.D. Silva
Hatha Yoga – A. Blay
Amor e Orgasmo – A. Lowen
Ioga e Saúde –
Yesudian, Selvarajan e Haich, Elizabeth, , editora Cultrix, 98-2002
Bertazzo, Ivaldo, Corpo Vivo, reeducação do movimentoedições Loyola, 7ª edição, 1986
Foto: © JiSign – fotolia.com

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